quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

... Um novo tempo ... ¡Feliz Año Nuevo!

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(Cecília Meireles)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

... Um pouco de poesia ...

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu 

Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.

(Chico Buarque)

sábado, 23 de outubro de 2010

26 e 27/10 - Lançamento de "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin" no Rio Scenarium!

Marcos Ozzellin, acompanhado do trio formado por André Mauto no violão 8 cordas, Marcelo Pfeil no cavaquinho e Thiago Kobe na bateria, fará o Show de Lançamento do Cd "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin", nos dias 26 e 27 de outubro, no RIO SCENARIUM. No repertório regravações de sambas conhecidos em arranjos elegantes, entre eles: “Preciso me Encontrar” (Candeia), “Deixa” (Baden Powell/Vinícius de Moraes), “Samba Rasgado” (Portello Juno/Wilson Falcão), “Com que Roupa” (Noel Rosa), “Quando eu penso na Bahia” (Ary Barroso), “Saudações” (Egberto Gismonti/Paulo César Pinheiro) e grandes sucessos de Dona Ivone Lara e Dorival Caymmi.


Dias: 26/10 (terça) e 27/10 (quarta) às 19 horas
Local: Rio Scenarium (Rua do Lavradio, 20 - Lapa - RJ)

Reservas: (21) 3147-9000
Entrada: R$ 15

Produção & Assessoria: Rosite Val



terça-feira, 5 de outubro de 2010

13/10 - "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin" no Programa Ao Vivo Entre Amigos/ Rádio MEC AM!


Marcos Ozzellin, acompanhado do trio formado por Geraldo Martins no violão, Marcelo Pfeil no cavaquinho e guitarra e Thiago Kobe na percussão, se apresentará no Programa Ao Vivo entre Amigos, dia 13 de outubro, na RÁDIO MEC AM, para divulgar o seu cd "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin". No repertório sambas conhecidos em arranjos elegantes, entre eles: “Preciso me Encontrar” (Candeia), “Deixa” (Baden Powell/Vinícius de Moraes), “Samba Rasgado” (Portello Juno/Wilson Falcão), “Com que Roupa” (Noel Rosa), “Quando eu penso na Bahia” (Ary Barroso) e “Saudações” (Egberto Gismonti/Paulo César Pinheiro). 

Dia: 13/10 (quarta-feira) às 17 horas

Local: Rádio MEC AM 

(Praça da República, 141 A - Centro - RJ)

*Entrada Franca* 

(distribuição de senhas a partir das 16 horas)

Produção & Assessoria: Rosite Val

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


Aprender
a não sentir tanto
a não falar tanto
a não ouvir tanto.

Aprender
a escutar mais as sensações
a preservar mais o silêncio
a calar a voz e o coração.

Calar.
Refletir.
Pensar.
Onde o mais é menos
E o menos é mais.
Sem transparência
Ou como uma que não seja tão reveladora.

Manter o segredo
O mistério
O sagrado e o profano.
Palavras.
Sempre as palavras.
E eu necessito delas.

Agora.
Aqui.
O que há?
Nada? Tudo?
Sei lá!

Palavras.
Sempre as palavras.
E o resto é silêncio.