Ela acordou com vontade de escrever porque as ideias fervilhavam na cabeça. Palavras, frases, pensamentos, assuntos, escolhas ... e ela escolheu falar sobre dom, sobre o dom de escutar as pessoas, não somente ouví-las, mas escutá-las por completo sem julgamentos, pré-conceitos ou qualquer tipo de moral. Afinal "certo" e "errado" não existem, são simples convenções. Ela tem esse dom, nasceu com ele, como uma tatuagem cravada no peito ... é uma das suas missões na terra e a cada dia fica mais forte e latente ... porque ao escutar e dialogar com o outro ela sabe que o ajuda, que ilumina o dia dele de uma certa forma. A maioria das pessoas está acostumada com vários dons, mas não com o dom de escutar - afinal se elas não escutam nem a si próprias, como terão espaço para escutar o outro? - e acabam achando que quem escuta livremente faz papel de trouxa, de bobo, é usado e coisa e tal. Ah, ela sabe o quão difícil é entender esse dom, só quem o tem o reconhece e o compreende, pois ele é como uma marca especial que se carrega por toda a vida. Sabe, ela é apaixonada pela vida como um todo, ela circula em todos os níveis sociais e culturais, ela encanta por onde passa por sua inteligência, simpatia e beleza, mas acima de tudo (e ela sabe bem disso) por sua capacidade de entrega, pelos olhos brilhantes que sempre a acompanham não importando o momento. Ela encara a vida de um jeito simples onde nada é preto no branco, onde frases feitas e pensamentos enlatados não dizem nada e sorri, sorri de todas as coisas passadas porque a gente está na vida para aprender e apreender e ela não abre mão disso nunca. Talvez ela quebre a cara algumas vezes, talvez ela se decepcione, talvez ela chore, afinal ao contrário do que pensam ela sente, sim, ela sente ... ela é humana, feita de carne, ossos, alma, pó e cinzas ... mas sentir não lhe tira o métron porque seu nível de coinsciência é especialmente assustador. Sim. Ela agora assume que é especial, que tem um dom raro, que segue o pulsar de seu coração, que "surpreenda-me" é a sua palavra de ordem e que seguir padrões não é a sua praia. Ela é livre. Ela é ela. Não mais nem menos, simplesmente ela, ponto final.
"El deber de todo hombre prudente es evitar la guerra" (Las Troyanas)
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
... Um novo tempo ... ¡Feliz Año Nuevo!
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
(Cecília Meireles)
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
... Um pouco de poesia ...
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
(Chico Buarque)
sábado, 23 de outubro de 2010
26 e 27/10 - Lançamento de "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin" no Rio Scenarium!
Marcos Ozzellin, acompanhado do trio formado por André Mauto no violão 8 cordas, Marcelo Pfeil no cavaquinho e Thiago Kobe na bateria, fará o Show de Lançamento do Cd "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin", nos dias 26 e 27 de outubro, no RIO SCENARIUM. No repertório regravações de sambas conhecidos em arranjos elegantes, entre eles: “Preciso me Encontrar” (Candeia), “Deixa” (Baden Powell/Vinícius de Moraes), “Samba Rasgado” (Portello Juno/Wilson Falcão), “Com que Roupa” (Noel Rosa), “Quando eu penso na Bahia” (Ary Barroso), “Saudações” (Egberto Gismonti/Paulo César Pinheiro) e grandes sucessos de Dona Ivone Lara e Dorival Caymmi.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
13/10 - "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin" no Programa Ao Vivo Entre Amigos/ Rádio MEC AM!
Marcos Ozzellin, acompanhado do trio formado por Geraldo Martins no violão, Marcelo Pfeil no cavaquinho e guitarra e Thiago Kobe na percussão, se apresentará no Programa Ao Vivo entre Amigos, dia 13 de outubro, na RÁDIO MEC AM, para divulgar o seu cd "O Samba Transcendental de Marcos Ozzellin". No repertório sambas conhecidos em arranjos elegantes, entre eles: “Preciso me Encontrar” (Candeia), “Deixa” (Baden Powell/Vinícius de Moraes), “Samba Rasgado” (Portello Juno/Wilson Falcão), “Com que Roupa” (Noel Rosa), “Quando eu penso na Bahia” (Ary Barroso) e “Saudações” (Egberto Gismonti/Paulo César Pinheiro).
Dia: 13/10 (quarta-feira) às 17 horas
Local: Rádio MEC AM
(Praça da República, 141 A - Centro - RJ)
*Entrada Franca*
(distribuição de senhas a partir das 16 horas)
Produção & Assessoria: Rosite Val
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