A Vida Leva (Nelson Angelo)
Tem tanta maneira de levar a vida
A vida leva
Sambando sempre tem jeito
A gente tem direito de ser feliz
Tudo bem mas deixa eu tocar meu samba
Ritmo não é só fazer escala
O samba se aprende na escola da vida
Pergunte ao mestre-sala
Tudo bem mas deixa eu cantar meu samba
Quero alegria, paixão e generosidade
O pão de cada dia, gentileza e muito som
Aí é que fica bom
Tem tanta maneira de levar a vida
A vida leva
A gente tem direito de ser feliz
Deixando de lado a utopia
Não vamos fazer discurso agora
É a hora do samba e o samba não tem fim
Sendo assim vamos viajar no samba
Que a moçada já está alucinada
O samba começou de manhã cedo
E vai até de madrugada
"El deber de todo hombre prudente es evitar la guerra" (Las Troyanas)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
"Los Caballos" - Dirección: Ernesto Clavijo
Foto: Mariano Czarnobai
"Los Caballos" (Uruguay)/ Teatro Bruno Kiefer - "Se algum dia percebessemos a com nitidez a essência de nosso ser latinoamericano, encontraríamos o eterno casamento entre a realidade a fantasia, entre os sonhos e o mundo consciente. As ilusões, tão constantes nos textos de Mauricio Rosencof, se verão frustadas. Mas ficaram os sonhos. Ulpiano, Lito, Clotilde, Azucena e Barreto (personagens da peça) sonham em voz alta. E n os contam seus sonhos, em meio as tragédias de suas vidas, de maneiras que lhes parecem certas". Saí de casa para ver uma montagem do Teatro de La Gaviota, já que quando estive em Montevideo, tive de voltar um dia antes da estreia de companhia na sede deles e fiquei com vontade de vê-los em cena. A hora chegou e lá fui eu ver "Los Caballos". Teatro cheio, apagam-se as luzes e eis que começa o espetáculo. Bueno, abrem-se as portas do onírico e somos convidados a viajar com essas personagens que vivem em outra época. Só que para muitos fica difícil quando o texto é dito num castellano coloquial e aí se dá o distanciamento. O elenco é desigual, deixando mais evidente as dificuldades em fazer do que o prazer de estar fazendo algo. A construção do papel do menino (Lito) é fraca, cai naquele esteriótipo de parecer quase débil, no tom de voz, nas atitudes, no andar. Os atores que fazem Ulpiano, Azucena e Barreto têm verdade, emoção e dão conta do recado, mas não dá para fazer milagre se não há uma concepção de direção segura. Ver Júver Salcedo/Ulpiano (diretor do Teatro de La Gaviota) em cena comemorando seus 60 anos de dedicação ao teatro é lindo e emociona, mas infelizmente o espetáculo deixou a desejar.
"Cuestión de Principios" - Dirección: Patricia Yosi
Foto:Ivo Gonçalves
"Cuestión de Principios" (Uruguay)/ Instituto Goethe - "Um homem e uma mulher estão frente a frente, depois de muito tempo sem se ver. Ele é um sindicalista com uma longa miltância política. Ela, uma jornalista e escritora bem sucedida. São pai e filha. Ele escreveu suas memórias e quer que a filha publique um livro sobre isso. Os princípios de pai e filha se confrontrarão quando os dois começarem a trabalhar juntos nesse livro; dois mundos diferentes onde se contrapõem a ética e os ideais de cada um". Bueno, essa é a sinopse da história e me interessei em vê-la. Dia chuvoso em Porto Alegre, teatro do Goethe, alguns lugares vazios na plateia e começa o espetáculo. O que vejo em cena é um embate, um embate entre pai e filha e entre dois bons atores. A história é simples, cenário, figurinos e luzes também, mas as atuações são muito bem construídas, vemos uma proposta de direção - que pode agradar ou não - mas existe. Walter Reyno constrói esse pai militante, sonhador e frágil de uma forma tão natural ... e aproveita a sua própria fragilidade física para o personagem (abro aqui um parentesis para dizer que Walter teve um problema de saúde muito sério há pouco tempo e ainda está em recuperação). Walter é de uma geração de atores uruguaios que trabalha o tempo todo com a construção da personagem nos "moldes Stanislavski", o que para muitos pode ser ultrapassado, mas que funciona - e muito! - se bem feito. Laura Sanchez constrói essa filha num contraponto, forte, segura de si, que serve ao sistema. Algo mortal para esse pai que ainda sonha com um mundo socialista. Mas, essa filha é tão segura assim? Claro que não. E aí se estabelece a relação, o embate entre dois mundos, o choque entre duas gerações, a ação dramática. E Walter e Laura nos fazem rir, nos emocionam, nos fazem refletir ao ver em cena o que muitos de nós vemos e/ou temos no dia-a-dia. Um bom espetáculo, verdadeiro, sensível, simples e sincero, com dois atores de primeira qualidade. Uma ótima surpresa desse 17º Porto Alegre em Cena.
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