segunda-feira, 22 de março de 2010

... Um pouco de Brecht ...

Aos Que Virão Depois de Nós

Eu vivo num tempo sem sol.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando falar de flores é quase um crime pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso.
Nada do que eu faço dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra.
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo num tempo sem sol!

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir.
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de sapatos - desesperados! -
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós com um pouco de compreensão.

(Bertold Brecht)

quinta-feira, 18 de março de 2010

... Uma pequena apresentação ...

Muito prazer, sou Rosite Val. Filha de carioca com paulista. Neta de espanhóis, bahiano e fluminense. Sou essa mistura toda, bem brasileira, latino-americana, com muito orgulho. Tenho 36 anos e não me troco por nenhuma de 20. Sou Atriz - apaixonada pelos clássicos e pelo Théâtre du Soleil e tenho ex-alunos que se tornaram bons amigos; sou Produtora - apaixonada por música boa, de qualidade; sou a Jornalista pós-graduada em Cinema que sempre sonhou em construir submarinos. Tenho um amor pra vida toda. E muitos desejos a realizar. Acredito em Deus e que a Fé move montanhas. Amo cantar. Amo gatos e os meus são a minha vida. Amo sol, não gosto de chuva. Amigos? Tenho poucos, mas fiéis e leais. Malhar faz parte da minha vida, sem academia não sou ninguém. Amo o mar quente do Nordeste e o friozinho outonal de Porto Alegre. Nunca fui à Europa, mas já me deliciei nas praias paradisíacas do Uruguay e em sua histórica capital, Montevideo. Vi o sol se pôr às 21h e o amanhecer sob um céu azul-violeta. Tenho muito orgulho da minha família e morro de saudade dela. Meu avô sempre foi, é e sempre será o meu herói. Aprendi, desde muito pequena, que todos nós somos iguais e que ninguém é melhor do que ninguém; que caráter, honestidade, lealdade e solidariedade vêm de berço. Se tem ou não. Que dom é nato. Que talento se compra. Sou guerreira. Sou feliz. Isso é o que importa.
¡Hasta Pronto!
¡Besitos!

quarta-feira, 17 de março de 2010

... Reflexões ...

"Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva e enfrenta tranquila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam num grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente, no meio de dores a que sou agradecido: a paciência é tudo." 
(Rainer Maria Rilke)

sexta-feira, 12 de março de 2010

O novo espetáculo do Théâtre du Soleil - Parte 2

Meus caros!
Acabo de ler o novo artigo da minha querida Deolinda Vilhena sobre "Les Naufragés du fol Espoir" e como coisa boa é para ser partilhada, deixo aqui o link:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4314987-EI11348,00-Um+teatro+popular+e+sem+concessoes.html

Já estou com os dedos cruzados para que, em 2011, "Les Naufragés du fol Espoir" aporte no 18º Porto Alegre em Cena!

¡Hasta Pronto!
¡Besitos!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Teatro Uruguayo 2010: "Locas"

Meus caros!
Se estiverem em Montevideo entre os meses de março e abril tenho uma mega dica teatral: "Locas" com a grande atriz e minha amiga (e minha diretora!) Gabriela Iribarren. O espetáculo é belíssimo, de uma sensibilidade arrebatadora!

Seguem as informações:


"Locas”, de Sandra Massera
Dirección: Lila García
Actuación: Gabriela Iribarren

1900. Una mujer de familia tradicional quiere creer en el amor, ser una artista independiente y pensar por sí misma. Cuidado: en primavera, los asilos para alienados tienen vacantes. Una historia inspirada en casos como los de la escultora francesa Camille Claudel y la uruguaya Clara García de Zúñiga.

DE 6 DE MARZO hasta 25 DE ABRIL DE 2010

Sábados- 21h
Domingos - 19h

Teatro del Museo Torres García (Peatonal Sarandí 683, Montevideo).

Reservas: [5982] 916-2663, [5982] 915-6544, [59899] 266-581

Fotos do Acervo Gabriela Iribarren